Sentimento pós-prova

Até agora não me conformo por ter errado uma questão besta na prova de Literatura Ocidental. Hamlet foi um dos últimos textos que li. Achei que estava tudo gravado na minha cabeça. Antes de viajar ainda comentei com o Claudio que lá no texto havia uma frase que já havia ouvido várias vezes em outros contextos: “há algo de podre no reino da Dinamarca.”

😦

Aí me vem uma pergunta completa sobre Hamlet… e eu me confundo, me esqueço da frase, me esqueço do texto todo e fico com uma dúvida mortal sobre onde se passa a história… Resultado, minha memória me traiu e acabei achando que era na Escócia. Imperdoável!!!

A prova de fontes de informação foi ok, tirando uma pergunta sobre hipertextos. Ninguém estava muito seguro sobre completar a frase apresentada pela professora na prova. Menos grave, pois as demais perguntas pareceram bem acessíveis.

Quando peguei a prova de Representação Descritiva e comecei a ler a primeira pergunta, fiquei desconcertada. Não fazia a mínima ideia de qual resposta era a certa. Pensei: se forem todas assim, isso não vai dar certo. No final, a pergunta não tinha resposta mesmo. Só que acabei errando mais uma. Fico meio decepcionada, pois isso já coloca a perder o conceito 4 na nota final.

Bom, de qualquer forma, acho que foi tudo bem. Mesmo assim, nos resta esperar o gabarito, que sempre leva alguns dias para sair, pois primeiro é preciso que todos os alunos realizem as provas.

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Como chegar a Caxias do Sul

Como muitos dos meus colegas que moram longe, para a realização das provas preciso me deslocar da minha cidade até Caxias do Sul.

Sempre vou de avião, por ser mais prático e rápido do que viajar de ônibus. Em uma das vezes comprei passagens diretas para Caxias, mas não cheguei lá. Havia neblina e o avião precisou pousar em Porto Alegre, de onde seguimos de ônibus para Caxias. A volta, pelo menos, deu para ser de lá.

No inverno, especialmente, é bem difícil haver teto para pouso ou decolagem. No meu caso, as passagens para Porto Alegre costumam ser mais baratas. Mesmo pagando o ônibus de Porto Alegre a Caxias, ainda assim vale mais a pena.

Quando eu chegava a Porto Alegre, sempre pegava um táxi até a rodoviária. Até que resolvi me aventurar no Trensurb. Achei bem civilizado. E, claro, é bem mais barato. Do terminal onde chegam voos da Gol e da TAM há um VLT (aeromóvel) que vai até a estação. Do terminal antigo, onde fica a Azul, dá para ir caminhando pela passarela.

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Na volta de Caxias do Sul para Porto Alegre, a dica é pegar um ônibus da Caxiense que faça uma parada no aeroporto Salgado Filho. Apesar de ser um pouco mais caro (atualmente, o executivo custa em média R$ 36 e o “comum”, R$ 28), vale a pena pela praticidade e por ser bem mais barato do que pegar um táxi.

Sempre achei que somente os executivos fossem até o aeroporto, mas na última viagem, ao comprar a passagem incluindo a ida até o aeroporto fiquei surpresa ao ver que se tratava de um ônibus comum – e, por isso, mais barato. Os horário completos podem ser vistos aqui.

Uma decisão acertada foi ter comprado este companheiro de viagem.

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Trimestre apressado

Tirei duas semanas de férias neste trimestre. Ao invés de ficar em casa estudando, viajei. Foi ótimo! Descansei bem a cabeça enquanto estive longe de tudo. Porém, na volta precisei encarar as consequências desta atitude inconsequente. 🙂

As férias foram nas semanas 2 e 3. Na semana 2 acessei o UCS Virtual rapidamente apenas para realizar as atividades da semana, que não poderiam ser deixadas para trás. Eu não estou fazendo este curso de brincadeira e me senti meio mal por fazer os trabalhos de forma apressada.

Quando voltei, no final da terceira semana, tentei recuperar o tempo perdido. Em duas disciplinas, tudo certo, mas na terceira, está sendo um pouco difícil. Talvez porque é uma matéria superteórica e muito importante, daquelas que não dá para escolher o que ler, é preciso ler tudo e fazer anotações de tudo.

Sorte a minha é que teremos uma aula presencial. Já fiz um resumão de tudo e pretendo dedicar umas boas horas de estudos até sexta-feira, para chegar na aula prática apenas para tirar dúvidas. Aliás, fiquei bem feliz com a oportunidade da aula presencial. Acho que será bom também para estreitar laços com os colegas.

As provas finais estão marcadas para sábado. Friozinho na barriga, mas vamos lá!

As primeiras leituras

Dias desses a professora de Literatura Ocidental nos pediu para escrevermos uma carta de apresentação, falando especialmente o que entendíamos sobre literatura e o que ela representava para nós. Bom, eu escrevi a minha carta logo no primeiro dia, mas depois achei que ela fugiu um pouco do tema proposto. De qualquer forma, eu me senti muito feliz ao redigi-la, pois fui tomada por lembranças boas.

E você, quais são as suas experiências com a literatura?

Rio de Janeiro, 12 de maio de 2015.

Querida professora Flávia,

nasci em um município gaúcho pequeno, pobre e distante, como escreveu certa vez um jornalista da capital sobre Esmeralda. Apesar dessa realidade nada animadora, havia duas bibliotecas na cidadezinha – uma era a do colégio; a outra, a municipal. Nelas, tinha acesso ao mundo. Não havia internet, páginas de busca ou Wikipédia, mas um “tantão” de livros que mesmo se eu morasse ainda hoje lá não teria dado conta de lê-los todos.

Uma das maiores alegrias da minha infância foi ter a minha própria fichinha verde de cadastro na biblioteca municipal, me entregue pela dona Marli. Eu ainda não sabia ler, mas podia muito bem folhear os raros livros só de figuras, como Ida e Volta, de Juarez Machado. Porém, não demorou muito para eu ser alfabetizada. A partir daí, as visitas à biblioteca escolar tornaram-se diárias. Neste ponto foi melhor morar em uma cidade pequena, pois eu podia ir sozinha à biblioteca.

Impossível listar todos os livros lidos na época de colégio. Infelizmente nunca fui de fazer anotações sobre as leituras. Volta e meia, porém, sou tomada por lembranças. Elas me levam a pesquisar na web, na tentativa de resgatar memórias. Aconteceu outro dia mesmo. Vi que os livros do Carlos Heitor Cony iriam ser reeditados. Um título chamou minha atenção. Naquele momento, eu nem sabia que ele havia escrito livros infanto-juvenis. Poucos minutos depois, dava-me conta de que havia lido uma meia dúzia na adolescência, como Uma história de amor, O amor e as pedras, Luciana Saudade, Vera Verão, Rosa vegetal de sangue, A gorda e a volta por cima (em tempos de politicamente correto, este livro perdeu parte do título com o passar dos anos)…

Algo semelhante ocorreu anos antes quando passeava por um sebo e me deparei com A droga da obediência. Bateu uma saudade dos livros do Pedro Bandeira. Em um deles, o autor usava versos de Fernando Pessoa, mas isso eu descobriria apenas anos mais tarde ao ler uma pequena parte da obra do escritor português. Desta leva de livrinhos fáceis e deliciosos de ler, lembro-me também dos da Coleção Vaga-lume. Como esquecer A árvore que dava dinheiro, O mistério do cinco estrelas, Um cadáver ouve rádio, O rapto do garoto de ouro e tantos outros? Marcos Rey era meu ídolo.

Em paralelo a esses clássicos juvenis, éramos orientados a ler os clássicos brasileiros, assinados por José de Alencar, Tomás Antônio Gonzaga, Manuel Antônio de Almeida e, claro, Machado de Assis e Lima Barreto. O triste fim de policarpo quaresma, assim como Memórias póstumas de Brás Cubas e Dom Casmurro foram livros inesquecíveis. Havia ainda os escritores gaúchos. O meu preferido sempre foi Josué Guimarães. Fiquei semanas impressionada com Camilo Mortágua. Havia (o adorado por toda adolescente) É tarde para saber e o desconfortável Enquanto a noite não chega.

Nas minhas aulas de literatura do primeiro ano do ensino médio, lemos basicamente autores gaúchos. Foi a fase em que li praticamente tudo que havia na época de Luis Fernando Verissimo, Moacyr Scliar e Luis Antonio de Assis Brasil. Outro escritor marcante foi o então jovem Marcelo Rubens Paiva e seu livros que atendiam aos meus anseios de adolescente rebelde.

Ao ler agora o livro de Ana Maria Machado sobre a importância de começar a ler os clássicos ainda cedo, percebi que me faltaram livros importantes. Resta-me agora tentar recuperar as leituras que ficaram para trás.

Abraços,

Rafaela

P.S.: Escrever esta carta me trouxe lembranças muito felizes.