As primeiras leituras

Dias desses a professora de Literatura Ocidental nos pediu para escrevermos uma carta de apresentação, falando especialmente o que entendíamos sobre literatura e o que ela representava para nós. Bom, eu escrevi a minha carta logo no primeiro dia, mas depois achei que ela fugiu um pouco do tema proposto. De qualquer forma, eu me senti muito feliz ao redigi-la, pois fui tomada por lembranças boas.

E você, quais são as suas experiências com a literatura?

Rio de Janeiro, 12 de maio de 2015.

Querida professora Flávia,

nasci em um município gaúcho pequeno, pobre e distante, como escreveu certa vez um jornalista da capital sobre Esmeralda. Apesar dessa realidade nada animadora, havia duas bibliotecas na cidadezinha – uma era a do colégio; a outra, a municipal. Nelas, tinha acesso ao mundo. Não havia internet, páginas de busca ou Wikipédia, mas um “tantão” de livros que mesmo se eu morasse ainda hoje lá não teria dado conta de lê-los todos.

Uma das maiores alegrias da minha infância foi ter a minha própria fichinha verde de cadastro na biblioteca municipal, me entregue pela dona Marli. Eu ainda não sabia ler, mas podia muito bem folhear os raros livros só de figuras, como Ida e Volta, de Juarez Machado. Porém, não demorou muito para eu ser alfabetizada. A partir daí, as visitas à biblioteca escolar tornaram-se diárias. Neste ponto foi melhor morar em uma cidade pequena, pois eu podia ir sozinha à biblioteca.

Impossível listar todos os livros lidos na época de colégio. Infelizmente nunca fui de fazer anotações sobre as leituras. Volta e meia, porém, sou tomada por lembranças. Elas me levam a pesquisar na web, na tentativa de resgatar memórias. Aconteceu outro dia mesmo. Vi que os livros do Carlos Heitor Cony iriam ser reeditados. Um título chamou minha atenção. Naquele momento, eu nem sabia que ele havia escrito livros infanto-juvenis. Poucos minutos depois, dava-me conta de que havia lido uma meia dúzia na adolescência, como Uma história de amor, O amor e as pedras, Luciana Saudade, Vera Verão, Rosa vegetal de sangue, A gorda e a volta por cima (em tempos de politicamente correto, este livro perdeu parte do título com o passar dos anos)…

Algo semelhante ocorreu anos antes quando passeava por um sebo e me deparei com A droga da obediência. Bateu uma saudade dos livros do Pedro Bandeira. Em um deles, o autor usava versos de Fernando Pessoa, mas isso eu descobriria apenas anos mais tarde ao ler uma pequena parte da obra do escritor português. Desta leva de livrinhos fáceis e deliciosos de ler, lembro-me também dos da Coleção Vaga-lume. Como esquecer A árvore que dava dinheiro, O mistério do cinco estrelas, Um cadáver ouve rádio, O rapto do garoto de ouro e tantos outros? Marcos Rey era meu ídolo.

Em paralelo a esses clássicos juvenis, éramos orientados a ler os clássicos brasileiros, assinados por José de Alencar, Tomás Antônio Gonzaga, Manuel Antônio de Almeida e, claro, Machado de Assis e Lima Barreto. O triste fim de policarpo quaresma, assim como Memórias póstumas de Brás Cubas e Dom Casmurro foram livros inesquecíveis. Havia ainda os escritores gaúchos. O meu preferido sempre foi Josué Guimarães. Fiquei semanas impressionada com Camilo Mortágua. Havia (o adorado por toda adolescente) É tarde para saber e o desconfortável Enquanto a noite não chega.

Nas minhas aulas de literatura do primeiro ano do ensino médio, lemos basicamente autores gaúchos. Foi a fase em que li praticamente tudo que havia na época de Luis Fernando Verissimo, Moacyr Scliar e Luis Antonio de Assis Brasil. Outro escritor marcante foi o então jovem Marcelo Rubens Paiva e seu livros que atendiam aos meus anseios de adolescente rebelde.

Ao ler agora o livro de Ana Maria Machado sobre a importância de começar a ler os clássicos ainda cedo, percebi que me faltaram livros importantes. Resta-me agora tentar recuperar as leituras que ficaram para trás.

Abraços,

Rafaela

P.S.: Escrever esta carta me trouxe lembranças muito felizes.

6 comentários sobre “As primeiras leituras

  1. Boa noite, Rafaela!

    Adorei teu blog, consegui tirar várias dúvidas sobre o curso EAD de Biblioteconomia da UCS.
    Mas ficaram algumas perguntas.
    O curso exige Trabalho de Conclusão de Curso? (É que li o Plano Curricular, e lá estão listados somente Estágios.)
    E por falar em Estágios, há obrigatoriedade de fazê-los em algum tipo de local específico (p. ex., escolas)? Ou há a possibilidade de estagiar em Instituições de Ensino Superior?

    Desde já, agradeço tua atenção 🙂

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    • Oi, Caroline. Que bom que gostou do blog. Gostaria de me dedicar um pouco mais, mas este semestre foi meio puxado.
      Ainda não falamos sobre isso, mas pelo que consta teremos apenas que fazer relatórios dos estágios. Vou me informar melhor sobre isso.
      Creio que os estágios podem ser realizados em qualquer área de atuação do bibliotecário, não necessariamente bibliotecas ou escolas.
      O coordenador vai avaliar o local e aprovar ou não o estágio.
      Abraço,
      Rafaela

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