Relatório de estágio

Nem dá para acreditar, mas amanhã encerro meu primeiro estágio. Foram nove semanas de amor com a Biblioteca do Museu Nacional. 🙂

Aprendi tanto e me senti muito acolhida pelos colegas da BMN. Acho que não poderia ter tido uma experiência melhor. Nesse período, passei por todas as seções da biblioteca, aprendendo muito em cada uma delas, percebendo e visualizando como ocorrem os processos e fluxos em cada setor. Saio com uma visão geral de como funciona uma biblioteca e isso certamente será muito útil na minha carreira como bibliotecária.

A BMN fez 154 anos em 2017, ou seja, tem história e acervo enormes. Nos primeiros dias eu ficava até meio perdida em meio às estantes, mas hoje ao ir procurar um livro no acervo já me senti muito tranquila, sabendo exatamente em qual parte da biblioteca ele poderia estar.

Guardar livros e periódicos nas primeiras semanas foi essencial para ter esta noção espacial do acervo, mas não só isso. Percorrer o acervo nos ensina também sobre os assuntos mais presentes. Aos poucos a percepção sobre a CDD vai tornando-se muito mais intuitiva. Claro que classificar ainda é, para mim, a tarefa mais complicada, mas acredito que a prática consiga ir dando certa segurança.

Sinto uma grande alegria por estar concluindo o estágio de forma tão satisfatória, mas um pouquinho de tristeza por durar tão pouco esta experiência.

 

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A procura por um estágio, segundo capítulo

img_9990.jpgNo começo de julho eu estava muito desesperada atrás de um estágio. Meu coração acalmou somente alguns dias depois quando uma ex-colega de pós-graduação me disse que eu poderei fazer o estágio supervisionado na biblioteca chefiada por ela. Respirei aliviada.

Confesso que não esperava encontrar tantas dificuldades. Quando falo com pessoas da área, sempre ouço que existem muitos estágios de biblioteconomia, mas normalmente essas mesmas profissionais já fizeram seus estágios anos atrás e não sabem como o mercado está atualmente.

Comecei meu estágio na biblioteca do Museu Nacional três dias depois do retorno da Alemanha. Confesso que entrei em um ritmo tão movimentado que nem deu tempo de ficar muito preocupada com a readaptação. 🙂 Às vezes nem parece que estive fora por tanto tempo.

Meu estágio tem sido uma experiência muito legal. Eu me sinto muito à vontade na biblioteca. Comecei guardando livros na estante e minhas amigas bibliotecárias estavam rindo e me sacaneando. “Todo estagiário começa fazendo isso.” Confesso que estou adorando, é a melhor maneira de conhecer o acervo. Estou lá para aprender e superdisposta a fazer qualquer atividade relacionada à biblioteca.

Depois de duas semanas na parte de atendimento ao usuário/circulação, hoje passei para o processamento técnico, área que me interessa muito. Foi uma manhã bem prazerosa.

Despedida da Biblioteca de Stuttgart

IMG_9679Hoje foi o dia de me despedir da Biblioteca Municipal de Stuttgart. Fui devolver alguns livros e aproveitei para ficar lá um pouquinho mais.

De tudo que vi e vivi aqui, certamente é do que sentirei mais falta. Não apenas por ser uma das bibliotecas mais bonitas e legais que já visitei (e tive o privilégio de usar), mas por tudo que representou para mim nesse período. Foi meu lugar seguro na cidade, para onde eu ia toda vez que me sentia só ou queria me distrair um pouco. Estar ali, aproveitando a programação ou simplesmente percorrendo as estantes à procura do livro ou do filme ideal para aquele momento, serviu muitas vezes como um bálsamo para aplacar saudades ou frustrações.

Sei que bibliotecas conseguem atender a muitas demandas dos usuários, mas nunca tinha me ocorrido que serviam também para esse tipo de necessidade. Mais tarde, ao ver vídeos do TED Talks com bibliotecários, me deparei com um que me sentir fazendo parte de um certo grupo de usuários, daqueles que buscam a biblioteca como espaço de acolhimento. Por isso, admiro cada vez mais esses espaços tão importantes para as comunidades. ❤

Visita ao Museu do Dinheiro e à Biblioteca do Banco Central alemão

Outra visita bem bacana realizada durante o Congresso de Bibliotecários em Frankfurt foi ao Geldmuseum, o Museu do Dinheiro, seguida por uma rápida passagem pela biblioteca do Banco Central alemão (Bundesbank), que fica no mesmo endereço.

O museu foi reestruturado há poucos anos, então tudo é moderno e supernovo. A exposição é bem interessante, com informações sobre moedas desde os primórdios. Há uma área voltada ao Euro e à falsificação do dinheiro. Em outra, uma barra de ouro pode até ser tocada pelos visitantes. 🙂

Depois que fizemos a visita guiada, fomos rapidamente à biblioteca, que tem todo tipo de acervo, inclusive guias de viagem, pois os funcionários costumam viajar para todos os cantos do mundo.

Um aspecto interessante da biblioteca é que, por questões de segurança, ela utiliza um software sem qualquer ligação com a internet ou com o mundo externo ao prédio do banco. Desta forma não há troca de dados com outras bibliotecas. O cuidado tem a ver com a tentativa de não se tornar vulnerável, não abrindo nenhuma brecha para entradas inoportunas no sistema do banco.

Visita à Biblioteca Nacional alemã

Algo bem interessante na programação do Bibliothekartag 2017 foi a possibilidade de realizar visitas guiadas em bibliotecas. Consegui fazer duas delas: na Biblioteca Nacional alemã e na biblioteca do Museu do Dinheiro.

A Biblioteca Nacional alemã tem duas sedes, uma em Frankfurt am Main e outra em Leipzig. Isso está ligado ainda à época em que a Alemanha era dividida em duas. O nome conjunto passou a ser usado em 2006. Atualmente, quando um livro (CD, DVD etc.) entra para o acervo, há pelo menos duas cópias, uma para cada sede.

Em Frankfurt, a Biblioteca Nacional está instalada em um prédio construído em 1997, pensado para abrigar a biblioteca e com várias preocupações sustentáveis. Algo que me chamou atenção foi o plano para prevenção de danos em caso de incêndio. Nota-se isso não apenas nas portas, mas também no modelo das estantes do armazém. Elas podem ser unidas de forma que a água que irá cair em caso de incêndio não prejudique os livros, por exemplo.

A visita foi rápida, mas bem interessante. Fiquei impressionada por ser tudo moderno, mas como o prédio já tem 20 anos, nota-se que também precisa de ajustes. Por exemplo, não há tomadas suficientes para os usuários.

A feira dentro do 106º Bibliothekartag 2017

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Eu fiquei impressionada com o número de empresas que participaram do 106. Bibliothekartag em Frankfurt. No mapa acima e na lista, dá para ter uma ideia do número de participantes. Já vi algo semelhante em congressos das áreas de saúde ou engenharia, mas nos de Ciência em Informação (que foram os únicos da área que participei até agora), tinha visto, no máximo, bancas vendendo livros. Aliás, isso nem vi no Congresso de Bibliotecários em Frankfurt.

Havia representantes de empresas que produzem softwares para gestão de bibliotecas na Alemanha (e são muitas, como tenho visto nas minhas disciplinas na HdM), algumas que produzem mobiliário ou equipamentos (scanners que só faltam falar, por exemplo), um estande da Biblioteca Nacional Alemã (DBN), da agregadora de conteúdos Biblioteca Alemã Digital (DDB) e várias associações ligadas à biblioteconomia, além de firmas que prestam serviços na área, como a BSZ.

Como fiz duas visitas a bibliotecas e assisti a várias palestras, dei apenas duas voltas nos estandes. Como não trabalho em uma biblioteca, não era muito o público-alvo das empresas, mas fui bem atendida em várias.

 

 

Ônibus-biblioteca, Bücherbus

Diversos ônibus estacionaram hoje na frente do prédio do Congresso de Bibliotecários em Frankfurt am Main. Até aí nenhuma novidade. Só que não eram ônibus comuns, mas ônibus-biblioteca. Um mais bonito e equipado que o outro. Não fiz anotações, mas havia bibliotecas de Frankfurt, Heilbronn, Darmstadt, Stuttgart, Offenbach, entre outras.

Como eu nunca tinha visto um ônibus-biblioteca, fiquei superimpressionada. Uma ideia tão interessante, tão relevante e tão bem implementada.

106. Bibliothekartag 2017

Hoje começou o congresso alemão de bibliotecários em Frankfurt am Main. Com mais de 2 mil participantes, o Bibliothekartag 2017 engloba palestras de profissionais de diferentes bibliotecas e instituições alemãs e de diversos outros países, além de uma grande feira, com a presença de empresas que produzem de softwares a mobiliário para bibliotecas. Há também estandes da Biblioteca Nacional alemã e outras organizações importantes da área, OCLC, ekz e BSZ.

A procura por um estágio, primeiro capítulo

Nunca imaginei que seria tão difícil encontrar uma biblioteca no Rio de Janeiro para realizar meu primeiro estágio, que precisa ser supervisionado – o currículo do curso da UCS inclui dois estágios supervisionados, nos dois semestres finais, cada um com 120 horas, sendo acompanhado por um professor do curso e por um profissional da área na unidade de informação escolhida.

Dividi a busca em três fases, com diferentes estratégias.

A primeiro foi iniciada ainda em março, quando fiz uma lista com todas as bibliotecas de meu interesse no Rio e outra com todos os bibliotecários que conheço ou tive algum contato nos últimos anos.

Ainda meio ingênua e sem experiência, pedi ajuda para uma colega de curso, que prontamente encaminhou meu currículo e carta de apresentação para uma empresa. Na minha imaginação, receberia uma resposta rapidinho. Não foi bem assim. Estou esperando até hoje…

Depois de uma duas semanas, percebi que não seria tão simples e passei a enviar e-mails para as primeiras unidades de informação da minha lista. Para meus lugares preferidos. De alguns sequer recebi resposta, justamente daqueles em que tenho um diferencial. De outros, uma negativa. Os que responderam já tinham alguém em vista para o segundo semestre ou não abriram processos neste ano. Fiquei feliz por terem respondido, pois com estes posso tentar no próximo semestre ou pelo menos já sei qual é o caminho – se por e-mail, pelo portal do CIEE (que não funciona on-line) ou outro modo.

Como a fase um não me trouxe resultados, desde a metade de abril parti para uma nova etapa: mais e-mails para bibliotecas e o início dos contatos com os conhecidos. Os e-mails continuaram não tendo muitas respostas. Confesso que com os colegas comecei a fazer os contatos nos últimos dias. Alguns falaram que irão se informar, mas eu sei por mim que nem sempre nos lembramos desses pedidos. Eu sou meio envergonhada para ficar cobrando. De qualquer forma, aguardo o retorno de alguns deles, especialmente daqueles que trabalham em bibliotecas onde talvez haja vaga.

Estou procurando estágio para agosto, então ainda tenho, teoricamente, dois meses inteiros pela frente. A terceira fase inclui refazer alguns contatos do começo das buscas e procurar fora do Rio. Tomara que não seja necessária.

Uma bela biblioteca pública: a Stadbibliothek Stuttgart

Estive duas vezes na Biblioteca Pública de Stuttgart, eleita uma das bibliotecas mais bonitas do mundo. Realmente é uma bela biblioteca. O acervo é enorme, novinho, com bastante alternativas. Confesso que s bibliotecas francesas que visitei me deixaram mais impressionada, mas esta também é muito boa.

Como agora já tenho o registro na prefeitura, pude abrir uma conta na biblioteca. O cadastro para um ano custa 20 euros – é possível fazer uma assinatura mensal, por 4 euros por mês. Como ficarei cinco meses, achei que não faria diferença. Então fiz por um ano.

Eu havia visitado a biblioteca – apenas para conhecer – na semana passada. Com meus documentos atualizados, no último sábado voltei para assistir a uma palestra sobre Open Data e aproveitei para realizar meu cadastro. Peguei dois livros leves, em alemão, para treinar o idioma.

Há livros, DVDs, guias de viagem, livros infantis, material mais técnico e científico. Os locais para estudo não são muito grandes, mas os que existem são agradáveis.

Um aspecto diferente é que os usuários podem pegar um computador emprestado. Achei a ideia legal, assim como uma oferta de livros para os insones. A biblioteca tem quatro portas. Em uma delas, há uma máquina, como aquelas em que se compra água ou bebidas, para que os insones possam retirar um livro durante a madrugada.

O prédio da biblioteca é bem novo e bem cuidado.

O empréstimo é todo feito pelo usuário, sem a ajuda de bibliotecários. Em alguns andares, há alguns profissionais à disposição. O cadastro inicial é feito por uma bibliotecária.

A biblioteca tem um café no último andar. Dali é possível ir até o terraço, que fica aberto em um horário determinado. A vista da cidade é bem bonita.

No porão da biblioteca é possível deixar casaco e bolsa em uma guarda-volumes automatizado. Se quiser, qualquer pessoa pode entrar com mochilas, computadores, sem problemas. Há seguranças no andar térreo, mas eles são bem discretos.

Há uma seção sobre a cidade, inclusive com muitos folhetos sobre cursos, passeios e outras oportunidades para locais e estrangeiros. Achei a iniciativa interessante.

Pretendo voltar lá muitas vezes.

Em cada distrito da cidade há uma biblioteca. Aqui perto do alojamento estudantil, em Möhringen, há uma bem bonita – vou visitar nos próximos dias. É possível devolver ali os livros que peguei na biblioteca central. A carteirinha vale para todas as bibliotecas.