Quando custa um intercâmbio?

É claro que o texto a seguir baseia-se em minha experiência. As informações referem-se a fazer um intercâmbio na Alemanha durante um semestre em uma cidade como Stuttgart – relativamente cara.

Apesar de serem informações bem específicas, talvez os itens abordados possam servir como base a quem está pensando em viver experiência semelhante.

Passagem aérea/transporte – O valor sempre vai depender do período da viagem e, geralmente, da antecedência com que se compra a passagem. Eu comprei no dia 28 de dezembro para viajar em 10 de fevereiro. Sempre gosto de planejar com mais antecedência, mas desta vez foi meio em cima da hora. Apesar de eu voltar em um período em que as passagens costumam ser bem caras, até que paguei um preço bem razoável: R$ 3508,69 (em euros, aprox. 980 euros na época). Viajei com a KLM do Rio de Janeiro até Amsterdã e voltarei de Air France, saindo de Paris. Como resolvi passear um pouco na Holanda antes de vir, tive o custo da passagem (69 euros) e em julho terei de me deslocar a Paris (49 euros) para pegar meu voo de volta.

Seguro de saúde – Todas os estrangeiros que vêm estudar na Alemanha devem ter um seguro de saúde. É obrigatório. Assim como todos nós brasileiros precisamos ter um seguro viagem ao visitar a Europa, independentemente do país. Como já passei da idade regular de um estudante de graduação, não pude fazer o seguro saúde que todos fizeram, que custava em média 78 euros por mês. Fiz um seguro da empresa Mawista. Até por conta da minha idade, acabei escolhendo o mais caro disponível, que se chama Student Confort. Os cinco meses – de março a julho – custaram no total: 294,50 euros. Também fiz um seguro de equipamentos e bagagem por mais 84,50 euros. Como não precisei usar o seguro até agora, às vezes passa pela minha cabeça que deveria ter feito o mais barato. A questão é que a gente nunca sabe. É um dinheiro que pagamos preferindo não precisar usar o serviço. Para os dias em que fiquei na Holanda e na Alemanha em fevereiro comprei um seguro viagem comum na Porto Seguro (R$ 300,67, equivalente a 83,50 euros).

Moradia – Dei muita sorte por conseguir um quarto em um alojamento estudantil por intermédio do International Office da HdM, pois se fosse procurar por conta teria muito mais dificuldades e provavelmente pagaria mais caro. O quarto individual em um apartamento com outros cinco estudantes custou pelo semestre 1480 euros. É preciso sempre estar preparado para os gastos extras, como por exemplo, a caução que sempre é cobrada ao assinar o contrato. No meu caso, foram 400 euros, que serão devolvidos ao final da locação caso o quarto esteja nas mesmas condições do início do aluguel. Como cheguei antes da data de entrada no alojamento estudantil por conta do curso de alemão, fiquei uma semana em um quarto do Airbnb, que custou R$ 600 (aprox. 167 euros).

Transporte – Antes de vir eu já sabia que poderia comprar o Semesterticket (que custa 203 euros), um ticket para o transporte público com duração de seis meses. A questão é que tudo tem certa burocracia. Eu cheguei praticamente um mês antes das aulas para fazer um curso intensivo de alemão. Só consegui ter todos os papéis necessários (como a carteirinha da HdM carimbada) para a compra do Semesterticket lá pelo dia 23 de março, ou seja, como estava morando em um bairro e o curso de alemão era no centro, tive de comprar passagens separadas para todo esse período. Isso custou uma pequena fortuna, cerca de 80 euros. Aqui, pelo menos, é possível comprar um ticket semanal por preço melhor, ou seja, poderia ter sido ainda mais caro. Desde que tenho meu Semesterticket posso andar de ônibus, metrô e trem em toda a rede da cidade. Dá para ir bem longe. 🙂

Utensílios domésticos/roupas de cama – Por chegar no inverno e para evitar trazer muita bagagem, decidi comprar as roupas de cama aqui na Alemanha. A associação que gerencia os alojamentos vende aos estudantes um kit completo com edredom, travesseiro, lençóis e fronha (por 45 euros). Com exceção do travesseiro, que acho muito baixo, os demais itens são bons. Apesar de a cozinha ser equipada e ter alguns utensílios deixados por outros estudantes, acabei tendo que comprar o básico: um prato, uma tigela, talheres e pano de prato. De supérfluo comprei uma latinha (porta-velas), velinhas para decorar meu quarto espartano e dar uma iluminada nos dias durante o período de inverno, uma toalha e um espelho pequeno. Nessas pequenas compras, gastei aprox. 50 euros.

Curso de alemão – Pelo curso em si, acabei não pagando nada. Os colegas de outras instituições na cidade pagaram 50 euros pelo curso intensivo e mais 50 euros pelo curso durante o semestre, que é um preço muito camarada. A HdM paga o curso para seus estudantes. 🙂 Claro que acabei tendo custos por ter vindo quase um mês antes, mas vejo mais como um investimento, pois o curso foi muito bom.

Matrícula – Apesar de a maioria das universidades na Alemanha não cobrar pelos seus cursos, sempre é necessário pagar uma taxa administrativa. Parte do dinheiro vai para a associação que administra os alojamentos, por exemplo. O valor varia de uma instituição para outra. Na HdM custa 100,60 euros. A taxa foi paga somente no dia 23 de março, quando finalmente pude carimbar a carteira de estudante e estava liberada para comprar o Semesterticket.

Internet – Cada quarto no alojamento estudantil tem infraestrutura para ter sua própria rede. No mesmo dia em que mudei, por ser uma quarta-feira, havia aqui um representante da Selfnet, a empresa que oferece o serviço no prédio. Minutos depois de fechar o contrato, já tinha minha própria rede wi-fi. Pelo período de seis meses vou pagar 49 euros, em média uns 8 euros por mês. Já internet para o celular, há muitas ofertas. Existem muitas empresas que prestam esse serviço. Eu acabei escolhendo a AldiTalk. Aldi é uma rede de supermercados, famosa por vender barato. O chip custa 12,99, sendo que 10 euros podem ser usados para compra do primeiro pacote de dados. Eu fiz uma trapalhada, pois achei que era automática a assinatura (o site meio que te induz a achar isso) e acabei gastando meus 10 euros à toa. Tive de colocar mais crédito logo em seguida, me sentindo uma boba. Há diversos pacotes de dados, todos com duração de 30 dias. Já tive o AldiTalk 600 (12,99) e depois baixei para o AldiTalk 300 (7,99). No total, gastarei nesse período aqui (incluindo um plano de dados para a Europa, quando fui à Itália, que desde 13.06.17 não é mais necessário): 77,99 euros.

Alimentação – este não é um tópico muito fácil de calcular, pois cada um tem seus hábitos. Eu havia planejado comer mais em casa, mas como não tenho muito talento para cozinhar, isso ocorreu menos do que eu gostaria. De março até o final de junho, gastei cerca de 240 euros no supermercado. Procurei me controlar para não ficar comendo muito fora de casa. Eu achava que tinha conseguido bem, mas agora ao somar esses gastos, vi que fui um fracasso nesse ponto. Gastei 1180 euros de março até o fim de junho. De modo geral, almocei de duas a três vezes por semana no restaurante da Universidade de Stuttgart, onde as refeições variam entre 2,90 e 5,50 euros, mas aos fins de semana comi bastante fora. Um pequeno luxo que deve ter impactado bem nessa conta foi comprar café na rua praticamente todo dia. O café com leite custa quase o preço de uma refeição, 2,30 euros. Além disso, em maio, por exemplo, recebi visitas de amigas em dois fins de semanas, o que implicou em comer bastante fora e em lugares mais caros. Então nesse mês, por exemplo, o gasto foi lá em cima.

Lazer – Depois que fiz o registro na Biblioteca Municipal de Stuttgart (20 euros), retirei muitos filmes para o tempo livro. Fui duas vezes ao cinema, duas vezes ao Jardim Botânico, duas vezes na piscina pública, à Noite dos Museus e a algumas palestras pagas na biblioteca. Tudo isso somou 82,50 euros. Tive vontade de fazer muito mais coisas. As saídas para comer um pouco melhor poderiam muito ser inseridas nessa categoria. 🙂

Como não sou (lá muito) consumista, nesse período comprei apenas algumas poucas roupas que se mostraram necessárias, como, por exemplo, um par de luvas e roupas térmicas. Os gastos, digamos, mais supérfluos, foram com algumas viagens, mas no meu caso viajar não é nada supérfluo, é necessidade. Fui, por exemplo, ao Congresso de Bibliotecários em Frankfurt e gostei muito.

Em resumo:
Passagem aérea/transporte – 980 euros + 69 euros + 49 euros
Seguro de saúde  294,50 euros + 84,50 euros + 83,50 euros
Moradia – 1480 euros + 400 euros + 167 euros
Transporte – 203 euros + 80 euros
Utensílios domésticos/roupas de cama – 45 euros + 50 euros
Matrícula – 100, 60 euros
Internet – 49 euros + 77,99 euros
Alimentação – 240 euros + 1180 euros
Lazer – 20 euros + 82,50 euros

Total = 5.335,59 (sem considerar os 400 euros da caução)
Cerca de 20 mil reais

Avaliação: Dentro desse valor há certamente gastos que podem ser evitados ou reduzidos. Quem se propõe a comer sempre em casa, certamente gastará a metade do que acabei usando para alimentação. Agora é fácil olhar os números e perceber onde poderia ter me contido, mas na hora nem sempre temos essa visão. A esse valor acrescentaria pelo menos mais mil euros para as viagens e também para poder comprar algumas coisinhas.

O valor é alto, mas creio que gastar em estudo e viagens é investimento. Sempre vale a pena.

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Das Studentenwohnheim ou simplesmente meu alojamento

Quando escrevi sobre os primeiros preparativos para o intercâmbio, prometi contar como seria meu alojamento. Então aqui vai um relato.

O formulário para solicitação de um quarto em uma residência estudantil foi enviado ainda antes da confirmação da vaga no curso. O prazo para o semestre de verão foi 31.11. Quando eu estava preenchendo o formulário percebi que havia um limite de idade, 35 anos. Preenchi a data máxima possível, coloquei uma observação de que havia nascido em outro ano e escrevi para o International Office da HdM explicando a situação.

Como resposta recebi um e-mail informando que abririam uma exceção no meu caso, desde que eu não me importasse se viver em um local com pessoas de idades diferentes da minha, o que poderia implicar em barulho e festas.

“I just got news concerning your case. There is an option for you to live in the student accommodation. If you consider so, please think of that the students you are sharing an apartment with, might live a different lifestyle than you. Noise and parties have been a regular complaint in accommodations with an age difference.”

Como a alternativa seria eu mesma procurar um outro lugar, que talvez fosse mais caro, aceitei este mesmo. Ainda mais que queria viver realmente como uma estudante.

Moro em um prédio administrado pelo Studierenwerk Stuttgart. Só aqui há três construções. Em cada um dos andares do meu prédio, há três apartamentos. O apartamento em que moro é composto por seis quartos, uma cozinha, dois quartos de banho (com chuveiro e pia) e dois banheiros (com vaso e pia). Cada estudante tem seu próprio quarto, mas divide as demais dependências.

O grupo é composto por mim, dois alemães, uma australiana e um casal brasileiro de Sorocaba. Cinco estudam na HdM e um na Universidade de Stuttgart. Apenas o aluno da Uni Stuttgart já morava aqui antes.

Depois de conhecer outros estudantes, posso dizer que dei uma sorte danada com meus companheiros de apê. Já ouvi cada história! Apesar de não serem loucos por limpeza (acho que eu também não era aos 20 anos), tudo é conservado de maneira bem razoável. Fazemos uma limpeza coletiva todo domingo. Já estou aqui há dois meses e nunca teve episódio de música alta ou visitas incômodas. Por sorte, o maior “problema” é o arrastar de chinelos do Hugo. 🙂

Como todos temos horários diferentes, quase nunca nos encontramos. Há alguns colegas que fico duas semanas sem nem ver. Os brasileiros mesmo, encontro ocasionalmente. No início fiquei meio chateada por ter outros brasileiros aqui, confesso, mas depois percebi que é bom ter alguém com quem conversar na minha própria língua. Ainda mais que eles são bem simpáticos.

Ah, sim, antes que eu me esqueça. Este conjunto de alojamentos fica ao lado da estação de metrô do bairro. Poderia ser um problema, mas as janelas e paredes aqui na Alemanha costumam ser antirruído. Nos primeiros dias eu até ouvia os trens passarem, mas confesso que nem reparo mais. Ainda mais que vinda do Rio, uma cidade extremamente barulhenta, o barulho dos trens é nada.

Além disso, ter a estação a dois minutos de caminhada é muito bom.

Cada quarto tem sua própria internet, com contrato individual e custo de 7 euros mensais. O quarto é mobiliado – com cama, estante, guarda-roupa e uma lixeira. Neste alojamento, o aluguel custa 296 euros por mês. Como eu optei por não trazer roupas de cama, comprei um kit (com travesseiro, coberta, lençois) oferecido pela administração por 45 euros.

Encontrar um lugar para morar em Stuttgart é realmente um grande problema, por isso sou muito agradecida pela HdM cuidar desta parte. Todos os estudantes estrangeiros moram nesses prédios e não precisam correr atrás de um quarto. Já conversei com colegas que moram a uma hora daqui ou que ficaram mais de um ano na lista de espera.

Algo em comum com Rafael Capurro

Hoje o professor Hütter estava dando um exemplo de um banco de dados e escolheu o nome de um autor para fazer uma pesquisa.

“Vou usar o nome de um antigo colega aqui da HdM.”

Foi aí que caiu a ficha de que a universidade em que o Prof. Rafael Capurro deu aula no passado foi justamente a HdM, de 1986 a 2009. Eu sabia que ele havia feito o doutorado na Alemanha e depois havia lecionado aqui por anos, mas nunca me ocorreu pesquisar sobre isso.

Capurro é (costumava ser) um autor bastante lido no IBICT. Há alguns anos, ele esteve no Rio e fez uma palestra sobre suas pesquisas na época. Atualmente, desenvolve um projeto na África do Sul.

Moodle

Usamos o AVA no curso da UCS. Já aqui na HdM, os professores usam o Moodle como plataforma de apoio. A ideia dos sistemas é bastante similar. Porém, enquanto na UCS o AVA é a nossa sala de aula, onde recebemos todos os conteúdos, entregamos trabalhos, conversamos com os colegas e trocamos informações com os professores, na HdM o Moodle é apenas um espaço para que os professores coloquem os slides das aulas, o calendário e uma ou outra informação sobre a disciplina. Até agora, somente em uma disciplina, a que é mais prática, usamos as mensagens entre colegas.

Acho que ainda não escrevi aqui, mas junto com todas as informações sobre a matrícula, recebemos um e-mail da HdM, que é usado pelos professores para nos enviarem mensagens, assim como pela Assessoria Internacional.

Sobre notas, viagens e trabalhos (quase) atrasados

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As aulas começaram há seis semanas. Na primeira quinzena os professores parece que combinaram pegar bem leve. Quando eu estava feliz com a vida boa, todos resolveram passar mil leituras e trabalhos… simultaneamente. Por que vocês são assim conosco, professores?

Fato é que neste momento estou cheia de tarefas – que ainda não estão atrasadas, mas correm grande risco de ficarem… Ainda mais que no último fim de semana fiz uma pequena viagem. Afinal estou tão perto de lugares legais e sei lá quando voltarei à Europa. Depois postarei algumas fotos das bibliotecas que visitei.

Sobre as avaliações

Faço as três disciplinas do módulo IT Management (IT-Management in Bibliotheken, Bibliothekssoftware e Digitale Bibliothek). São três matérias distintas, cada uma com um professor diferente, mas que têm uma única prova, que será realizada em julho. A prova (chamada Klausur) tem duração de 90 minutos, sendo 30 minutos para cada disciplina.

Na disciplina Projekt Museumsbibliothek faremos um trabalho em grupo. Formamos o grupo ontem e começamos a pesquisa. O meu grupo vai mostrar a Biblioteca Digital Alemã como uma alternativa para apresentação da informação on-line. Ainda estamos no início do trabalho. A nota será baseada na apresentação oral e na parte escrita da pesquisa.

Mesma forma de avaliação terá a disciplina Medienmanagement in Schulbibliotheken. A diferença é que teremos duas atividades. Na primeira, os colegas alemães pesquisaram sobre temas ligados à Biblioteca Escolar. Já eu e o Nicolas, o colega francês, faremos apresentações individuais, sobre a situação das bibliotecas escolares em nossos respectivos países. Já comecei a coletar os dados, mas ainda falta muiiiiita coisa. Minha apresentação será no dia 23 de maio, mesmo dia em que serão apresentados os trabalhos em grupo sobre sistemas de gerenciamento de bibliotecas. O meu grupo falará sobre o Libreja.

Por fim, tem a disciplina Open Source Bibliothekssysteme, na qual estamos conhecendo o sistema Koha. Toda semana avançamos um pouco. Acaba sendo bem prática. Nas primeiras duas aulas passei trabalho com a instalação do programa no Linux. Nunca havia usado um “terminal” para inserir código. Agora estamos trabalhando no sistema em si. O Koha é um software de código aberto, mas sinceramente sem alguém para dar uma assistência no começo pelo menos, fica difícil instalá-lo de primeira. Nessa matéria, termos um trabalho escrito, no qual avaliaremos o uso do sistema.

E ainda tem o curso de alemão…

A HdM

A Escola Superior de Mídia de Stuttgart (Hochschule der Medien) é uma instituição pequena em comparação com a UCS, por exemplo. A HdM tem 4500 alunos; a UCS, mais de 35 mil. Atualmente ela é formada por três unidades: Faculdade de Informação e Comunicação, Faculdade de Impressão e Mídia e Faculdade de Mídias Eletrônicas, que oferecem 17 cursos de graduação e 11 de mestrado.

A HdM foi fundada em 2001 a partir da fusão de duas instituições: a Hochschule für Druck und Medien, oficialmente criada em 1903, mas já com atividades desde 1853, e a Hochschule für Bibliotheks- und Informationswesen, de 1942.

Laboratórios, salas de aulas, salas de professores, estúdios e biblioteca são distribuídos em três prédios bem novos (de 2014). O ambiente é moderno e descontraído.

 

Meu plano de estudos na HdM

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Começaram as minhas aulas na Hochschule der Medien (HdM)!

Estou matriculada em sete disciplinas:

  • Projekt Museumsbibliothek (Seg, 16h-19h15)
  • Medienmanagement in Schulbibliotheken (Ter, 10h-13h15)
  • Digitale Bibliothek (Qua, 8h15-9h45)
  • Bibliothekssoftware (Qui, 10h-11h30)
  • IT-Management in Bibliotheken (Qui, 11h45-13h15)
  • Open Source Bibliothekssysteme (Qui, 14h15-17h30)
  • Social Media in Bibliotheken (28/04, 13/05 e 27/05)*

A semana começou com a disciplina Projekt Museumbibliothek (Projeto Biblioteca de um museu), que é ministrada por dois professores, Prof. Hütter e Prof. Hennies. Somos entre 15 e 17 alunos. A ideia dessa disciplina é elaborar um projeto para o Museu Heilbronn. Ainda não está claro o que será desenvolvido. Nesta segunda-feira faremos uma visita ao Museu, que fica em uma cidade vizinha. A primeira aula foi meio solta, sem conteúdo. Os professores fizeram um brainstorm, coletando ideias sobre o que poderia ser abordado durante a visita. A visita será realizada durante o horário de aula. Sairemos no fim da tarde de Stuttgart em direção a Heilbronn, onde ficaremos por mais ou menos duas horas levantando informações para nossos trabalhos.

Na terça, tive Medienmanagement in Schulbibliotheken (Gestão de mídias em bibliotecas escolares), novamente com o Prof. Hütter, que é o decano/coordenador do curso de Biblioteconomia na HdM. Ele explicou como funcionaria o curso, a avaliação, os trabalhos que espera que façamos. A turma tem também uns 15 alunos. As aulas serão numa pequena sala de aula. Nikolas, o aluno francês, e eu, faremos trabalhos individuais. Nossa tarefa é apresentar um panorama das bibliotecas escolares em nossos respectivos países. O material da aula da prof. Michele será bem útil. Os demais colegas farão trabalhos e apresentações sobre temas levantados durante essa primeira aula, como situação das bibliotecas escolares na Alemanha, questões técnicas, comparação com bibliotecas públicas, melhores práticas etc.

A aula de Digitale Bibliothek (Biblioteca Digital) foi em um estilo diferente: numa sala de aula bem grande, com mais de 50 alunos. O Prof. Hennies usa até microfone. Creio que este seja um estilo clássico de aula na Alemanha. Não há chamada ou controle de presença. Os alunos são estimulados a rápidos trabalhos em grupo, mas a aula é focada no professor, que apresenta um conteúdo. Esta matérias me interessa muito, pois eu adoraria trabalhar com/em uma biblioteca digital.

Mesmo formato têm Bibliothekssoftware (Softwares para bibliotecas), com o Prof. Hütter, e IT-Management in Bibliotheken (Gestão de tecnologia de informação em bibliotecas), com o Prof. PfefferEssas duas e Digitale Bibliothek fazem parte de um mesmo módulo. No final do semestre, é feita uma prova única para as três. Nesta primeira semana não participei da aula de IT-Management, pois percebi tarde demais esta questão do módulo e quando resolvi quer faria as três matérias, a aula já tinha passado.

Minha semana termina com Open Source Bibliothekssysteme (Sistemas de código aberto para bibliotecas), ministrada pelo Prof. Pfeffer. Essa tem 10 alunos. Ao longo do semestre aprenderemos sobre softwares de código aberto e teremos uma parte prática com o Koha, um sistema pouco usado no Brasil. Na primeira aula aprendemos a diferença de open source e free software, entre outras coisas. Em casa, tivemos que criar uma máquina virtual e instalar o sistema Linux/Ubuntu. Adoro este tipo de coisa. Acho que será uma disciplina bem interessante.

Como talvez dê para perceber, tenho um interesse bem grande por tecnologia. Então, no final, as disciplinas que escolhi tem relação com essa área dentro da biblioteconomia. Havia um oferta bem grande de cursos. Dá vontade de pegar bem mais coisas, mas ainda tenho o curso de alemão nas tardes de quarta-feira e eu preciso sempre lembrar que tudo é em alemão.

Nesta primeira semana, consegui entender quase tudo, mas é preciso ficar sempre bem concentrada nas aulas, pois basta um segundo de distração para tudo parecer grego. 🙂 Pensei em fazer um dicionário com termos da biblioteconomia, pois às vezes não entendo o que está sendo tratato por não conhecer o termo e depois vou ver que era algo bem simples.

* Esta disciplina tem apenas três encontros e será realizada mais tarde no semestre.

 

Primeiro compromisso: teste de nivelamento

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Na segunda-feira, 20 de fevereiro, fui pela primeira vez na Hochschule der Medien, onde vou estudar neste semestre. Não, as disciplinas de biblioteconomia ainda não começaram, mas eu precisava fazer o teste de nivelamento de alemão – OnDaF Test.

Foi meio engraçado, pois aplicar esse mesmo teste foi uma das minhas tarefas nos últimos anos. Desta vez eu estava do outro lado, como uma estudante de alemão sendo nivelada.

Como eu já tinha um registro, pois já fiz este teste outras vezes, fiquei aguardando a instrutora dar a ordem para começarmos. Não me contive e ajudei uma colega que estava tendo dificuldades com o registro. img_5400

O teste foi ok, com textos compreensíveis. Porém, fiz menos pontos do que da última vez. Em novembro, eu havia acertado 100 pontos dos 160. Agora, 98. Em março farei novamente o teste para saber em qual turma estarei durante o semestre. Espero ir melhor depois de três semanas intensivas de alemão.

Ao receber o resultado do teste, fui conversar com a instrutora, que estava nos colocando nas turmas disponíveis. Ela fez uma piadinha sobre o que poderiam fazer por mim. O meu resultado me colocaria em uma turma de C1. Como não há esta turma no intensivo, ganhei uma vaga na turma B2.1, o que achei excelente, pois poderei revisar vários conteúdos.

Existe uma problema quando se já aprende uma língua há muito tempo. Teoricamente, já se viu tudo, guardar isso na cabeça e usar na hora de conversar é outra história. Eu normalmente vou bem em teste de nivelamento, mas falar que é bom…

Planejando o intercâmbio

Tendo a carta de aceitação da Escola Superior de Mídias (HdM), comecei a listar tudo que tinha que providenciar para o intercâmbio:

  • seguro-saúde (fiz logo nos primeiros dias, pois era requisito essencial para os passos seguintes. Escolhi a Mawista, pois tinha um bom plano para estudantes);
  • alojamento (eu preenchi o pedido de um quarto no alojamento estudantil até 30.11. Ao fazer isso, percebi que havia um limite de idade que eu ultrapassava – 35 anos. Escrevi para o International Office e eles entraram em contato com os administradores do alojamento. Abriram uma exceção e consegui um quarto individual em um apartamento com outros seis universitários). Quando eu estiver lá farei outro post para contar como tudo funciona na prática.
  • disciplinas (entrei em contato por e-mail com o coordenador do curso, que me encaminhou para um outro professor. Menos de 24 horas depois de eu ter enviado o e-mail já tinha informações sobre o número de créditos e uma lista preliminar das disciplinas que poderei fazer. A programação completa, assim como as inscrições, é liberada agora em janeiro, ainda preciso aguardar um pouco, mas já dei uma olhada na grade do último semestre. Há várias disciplinas que quero fazer, mas tenho que ter o cuidado de não me sobrecarregar, pois afinal tudo será em alemão, o que não é exatamente simples).
  • passagem (depois de pesquisar muito, decidi comprar uma passagem da KLM, via Amsterdã. A volta será de Air France, via Paris. Como meu marido irá comigo no início do intercâmbio, optamos por passear um pouco antes de ir para a Alemanha).
  • licença/demissão do emprego (por enquanto ainda não sei se conseguirei a licença seis meses, mas não tenho pensado muito sobre esse assunto. Se não der a licença, poderei me concentrar nos meus estágios no segundo semestre).
  • $$$ (decidi comprar um cartão de viagem, mas ainda trocarei alguns euros). Logo mais farei um post sobre planejamento financeiro.

O resultado

Um mês depois da inscrição recebi o e-mail que tanto aguardava com a resposta da Escola Superior de Mídias (HdM). Depois de uns 20 dias de enviar a candidatura não resisti e perguntei sobre um possível prazo para divulgação do resultado. O diretor da assessoria internacional disse que logo sairia, “em alguns dias”.

No dia 1º de dezembro recebi a carta de aceitação com informações sobre documentos que teria de providenciar e o contato de coordenador de meu curso. Os mais importantes eram o seguro de saúde e o visto. Cotei um plano de saúde na Mawista (fechei um para estudantes que custa 75 euros por mês). Com o visto, felizmente, não precisei me preocupar pois tenho cidadania italiana e posso morar na Alemanha sem necessidade de uma permissão formal.

Curiosamente, dois dias antes de chegar a carta de aceitação recebi uma mensagem do alojamento que o International Office costuma reservar para estudantes estrangeiros dizendo que eu deveria preencher um formulário, que foi o que fiz só por garantia, apesar de ainda não ter 100% de certeza de que teria uma vaga no curso. A essa altura minha ansiedade estava enorme, mas logo soube que poderia respirar aliviada e feliz.