Das Studentenwohnheim ou simplesmente meu alojamento

Quando escrevi sobre os primeiros preparativos para o intercâmbio, prometi contar como seria meu alojamento. Então aqui vai um relato.

O formulário para solicitação de um quarto em uma residência estudantil foi enviado ainda antes da confirmação da vaga no curso. O prazo para o semestre de verão foi 31.11. Quando eu estava preenchendo o formulário percebi que havia um limite de idade, 35 anos. Preenchi a data máxima possível, coloquei uma observação de que havia nascido em outro ano e escrevi para o International Office da HdM explicando a situação.

Como resposta recebi um e-mail informando que abririam uma exceção no meu caso, desde que eu não me importasse se viver em um local com pessoas de idades diferentes da minha, o que poderia implicar em barulho e festas.

“I just got news concerning your case. There is an option for you to live in the student accommodation. If you consider so, please think of that the students you are sharing an apartment with, might live a different lifestyle than you. Noise and parties have been a regular complaint in accommodations with an age difference.”

Como a alternativa seria eu mesma procurar um outro lugar, que talvez fosse mais caro, aceitei este mesmo. Ainda mais que queria viver realmente como uma estudante.

Moro em um prédio administrado pelo Studierenwerk Stuttgart. Só aqui há três construções. Em cada um dos andares do meu prédio, há três apartamentos. O apartamento em que moro é composto por seis quartos, uma cozinha, dois quartos de banho (com chuveiro e pia) e dois banheiros (com vaso e pia). Cada estudante tem seu próprio quarto, mas divide as demais dependências.

O grupo é composto por mim, dois alemães, uma australiana e um casal brasileiro de Sorocaba. Cinco estudam na HdM e um na Universidade de Stuttgart. Apenas o aluno da Uni Stuttgart já morava aqui antes.

Depois de conhecer outros estudantes, posso dizer que dei uma sorte danada com meus companheiros de apê. Já ouvi cada história! Apesar de não serem loucos por limpeza (acho que eu também não era aos 20 anos), tudo é conservado de maneira bem razoável. Fazemos uma limpeza coletiva todo domingo. Já estou aqui há dois meses e nunca teve episódio de música alta ou visitas incômodas. Por sorte, o maior “problema” é o arrastar de chinelos do Hugo. 🙂

Como todos temos horários diferentes, quase nunca nos encontramos. Há alguns colegas que fico duas semanas sem nem ver. Os brasileiros mesmo, encontro ocasionalmente. No início fiquei meio chateada por ter outros brasileiros aqui, confesso, mas depois percebi que é bom ter alguém com quem conversar na minha própria língua. Ainda mais que eles são bem simpáticos.

Ah, sim, antes que eu me esqueça. Este conjunto de alojamentos fica ao lado da estação de metrô do bairro. Poderia ser um problema, mas as janelas e paredes aqui na Alemanha costumam ser antirruído. Nos primeiros dias eu até ouvia os trens passarem, mas confesso que nem reparo mais. Ainda mais que vinda do Rio, uma cidade extremamente barulhenta, o barulho dos trens é nada.

Além disso, ter a estação a dois minutos de caminhada é muito bom.

Cada quarto tem sua própria internet, com contrato individual e custo de 7 euros mensais. O quarto é mobiliado – com cama, estante, guarda-roupa e uma lixeira. Neste alojamento, o aluguel custa 296 euros por mês. Como eu optei por não trazer roupas de cama, comprei um kit (com travesseiro, coberta, lençois) oferecido pela administração por 45 euros.

Encontrar um lugar para morar em Stuttgart é realmente um grande problema, por isso sou muito agradecida pela HdM cuidar desta parte. Todos os estudantes estrangeiros moram nesses prédios e não precisam correr atrás de um quarto. Já conversei com colegas que moram a uma hora daqui ou que ficaram mais de um ano na lista de espera.

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Algo em comum com Rafael Capurro

Hoje o professor Hütter estava dando um exemplo de um banco de dados e escolheu o nome de um autor para fazer uma pesquisa.

“Vou usar o nome de um antigo colega aqui da HdM.”

Foi aí que caiu a ficha de que a universidade em que o Prof. Rafael Capurro deu aula no passado foi justamente a HdM, de 1986 a 2009. Eu sabia que ele havia feito o doutorado na Alemanha e depois havia lecionado aqui por anos, mas nunca me ocorreu pesquisar sobre isso.

Capurro é (costumava ser) um autor bastante lido no IBICT. Há alguns anos, ele esteve no Rio e fez uma palestra sobre suas pesquisas na época. Atualmente, desenvolve um projeto na África do Sul.

Moodle

Usamos o AVA no curso da UCS. Já aqui na HdM, os professores usam o Moodle como plataforma de apoio. A ideia dos sistemas é bastante similar. Porém, enquanto na UCS o AVA é a nossa sala de aula, onde recebemos todos os conteúdos, entregamos trabalhos, conversamos com os colegas e trocamos informações com os professores, na HdM o Moodle é apenas um espaço para que os professores coloquem os slides das aulas, o calendário e uma ou outra informação sobre a disciplina. Até agora, somente em uma disciplina, a que é mais prática, usamos as mensagens entre colegas.

Acho que ainda não escrevi aqui, mas junto com todas as informações sobre a matrícula, recebemos um e-mail da HdM, que é usado pelos professores para nos enviarem mensagens, assim como pela Assessoria Internacional.

Sobre notas, viagens e trabalhos (quase) atrasados

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As aulas começaram há seis semanas. Na primeira quinzena os professores parece que combinaram pegar bem leve. Quando eu estava feliz com a vida boa, todos resolveram passar mil leituras e trabalhos… simultaneamente. Por que vocês são assim conosco, professores?

Fato é que neste momento estou cheia de tarefas – que ainda não estão atrasadas, mas correm grande risco de ficarem… Ainda mais que no último fim de semana fiz uma pequena viagem. Afinal estou tão perto de lugares legais e sei lá quando voltarei à Europa. Depois postarei algumas fotos das bibliotecas que visitei.

Sobre as avaliações

Faço as três disciplinas do módulo IT Management (IT-Management in Bibliotheken, Bibliothekssoftware e Digitale Bibliothek). São três matérias distintas, cada uma com um professor diferente, mas que têm uma única prova, que será realizada em julho. A prova (chamada Klausur) tem duração de 90 minutos, sendo 30 minutos para cada disciplina.

Na disciplina Projekt Museumsbibliothek faremos um trabalho em grupo. Formamos o grupo ontem e começamos a pesquisa. O meu grupo vai mostrar a Biblioteca Digital Alemã como uma alternativa para apresentação da informação on-line. Ainda estamos no início do trabalho. A nota será baseada na apresentação oral e na parte escrita da pesquisa.

Mesma forma de avaliação terá a disciplina Medienmanagement in Schulbibliotheken. A diferença é que teremos duas atividades. Na primeira, os colegas alemães pesquisaram sobre temas ligados à Biblioteca Escolar. Já eu e o Nicolas, o colega francês, faremos apresentações individuais, sobre a situação das bibliotecas escolares em nossos respectivos países. Já comecei a coletar os dados, mas ainda falta muiiiiita coisa. Minha apresentação será no dia 23 de maio, mesmo dia em que serão apresentados os trabalhos em grupo sobre sistemas de gerenciamento de bibliotecas. O meu grupo falará sobre o Libreja.

Por fim, tem a disciplina Open Source Bibliothekssysteme, na qual estamos conhecendo o sistema Koha. Toda semana avançamos um pouco. Acaba sendo bem prática. Nas primeiras duas aulas passei trabalho com a instalação do programa no Linux. Nunca havia usado um “terminal” para inserir código. Agora estamos trabalhando no sistema em si. O Koha é um software de código aberto, mas sinceramente sem alguém para dar uma assistência no começo pelo menos, fica difícil instalá-lo de primeira. Nessa matéria, termos um trabalho escrito, no qual avaliaremos o uso do sistema.

E ainda tem o curso de alemão…

A HdM

A Escola Superior de Mídia de Stuttgart (Hochschule der Medien) é uma instituição pequena em comparação com a UCS, por exemplo. A HdM tem 4500 alunos; a UCS, mais de 35 mil. Atualmente ela é formada por três unidades: Faculdade de Informação e Comunicação, Faculdade de Impressão e Mídia e Faculdade de Mídias Eletrônicas, que oferecem 17 cursos de graduação e 11 de mestrado.

A HdM foi fundada em 2001 a partir da fusão de duas instituições: a Hochschule für Druck und Medien, oficialmente criada em 1903, mas já com atividades desde 1853, e a Hochschule für Bibliotheks- und Informationswesen, de 1942.

Laboratórios, salas de aulas, salas de professores, estúdios e biblioteca são distribuídos em três prédios bem novos (de 2014). O ambiente é moderno e descontraído.