Visita à Biblioteca Nacional alemã

Algo bem interessante na programação do Bibliothekartag 2017 foi a possibilidade de realizar visitas guiadas em bibliotecas. Consegui fazer duas delas: na Biblioteca Nacional alemã e na biblioteca do Museu do Dinheiro.

A Biblioteca Nacional alemã tem duas sedes, uma em Frankfurt am Main e outra em Leipzig. Isso está ligado ainda à época em que a Alemanha era dividida em duas. O nome conjunto passou a ser usado em 2006. Atualmente, quando um livro (CD, DVD etc.) entra para o acervo, há pelo menos duas cópias, uma para cada sede.

Em Frankfurt, a Biblioteca Nacional está instalada em um prédio construído em 1997, pensado para abrigar a biblioteca e com várias preocupações sustentáveis. Algo que me chamou atenção foi o plano para prevenção de danos em caso de incêndio. Nota-se isso não apenas nas portas, mas também no modelo das estantes do armazém. Elas podem ser unidas de forma que a água que irá cair em caso de incêndio não prejudique os livros, por exemplo.

A visita foi rápida, mas bem interessante. Fiquei impressionada por ser tudo moderno, mas como o prédio já tem 20 anos, nota-se que também precisa de ajustes. Por exemplo, não há tomadas suficientes para os usuários.

A feira dentro do 106º Bibliothekartag 2017

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Eu fiquei impressionada com o número de empresas que participaram do 106. Bibliothekartag em Frankfurt. No mapa acima e na lista, dá para ter uma ideia do número de participantes. Já vi algo semelhante em congressos das áreas de saúde ou engenharia, mas nos de Ciência em Informação (que foram os únicos da área que participei até agora), tinha visto, no máximo, bancas vendendo livros. Aliás, isso nem vi no Congresso de Bibliotecários em Frankfurt.

Havia representantes de empresas que produzem softwares para gestão de bibliotecas na Alemanha (e são muitas, como tenho visto nas minhas disciplinas na HdM), algumas que produzem mobiliário ou equipamentos (scanners que só faltam falar, por exemplo), um estande da Biblioteca Nacional Alemã (DBN), da agregadora de conteúdos Biblioteca Alemã Digital (DDB) e várias associações ligadas à biblioteconomia, além de firmas que prestam serviços na área, como a BSZ.

Como fiz duas visitas a bibliotecas e assisti a várias palestras, dei apenas duas voltas nos estandes. Como não trabalho em uma biblioteca, não era muito o público-alvo das empresas, mas fui bem atendida em várias.

 

 

Minha experiência no 106º Bibliothekartag 2017

IMG_7914Gostaria de ter escrito antes sobre a experiência de ter ido ao Congresso de Bibliotecários em Frankfurt, mas acabei aproveitando a semana de férias de Pentecostes (Pfingstferien) para viajar um pouco e nessa última semana fiquei muito envolvida com as apresentações e trabalhos finais.

Diferente dos congressos que participei anteriormente, no qual eram apresentadas basicamente pesquicas acadêmicas, este congresso teve um perfil mais profissional, com apresentação de trabalhos feitos por bibliotecários para bibliotecários. Sim, teve pesquisa também, mas com um viés mais prático, baseada em experiências da prática bibliotecária.

Os (futuros) colegas aproveitam o congresso para as reuniões de suas associações e de grupos de pesquisa. Tudo é apresentado na agenda oficial. Algo bem legal também é a enorme feira de produtos para bibliotecas, de softwares a mobiliário, passando pela apresentação de novos produtos e tecnologias para unidades de informação.

IMG_7915Havia um livreto com toda a programação (entregue junto com a credencial no primeiro dia de congresso). Esta já estava disponível no site oficial uns dois meses antes. No site, assim como aplicativo, era possível se logar e criar uma espécie de agenda com as palestras e atividades de interesse.

Mais de 2 mil participantes estiveram em Frankfurt durante os três dias de congresso. O Bibliothekartag foi realizado no endereço mais tradicional de feiras de Frankfurt, a Messe (onde ocorre a tradicional Feira do Livro de Frankfurt). Havia indicações do congresso por todos os lados. Eu achei tudo muito bem organizado. Os inscritos no congresso tinham automaticamente um ticket para o transporte público nos dias do evento. Apenas a título de informação, eu paguei 47 euros pela inscrição, como estudante.

Confesso que foi muita informação! Aproveitei o que pude, mas acho que poderia ter aproveitado mais. O legal é que o material das palestras fica disponível on-line para os participantes por mais um tempo. Pretendo aproveitar o feriado para dar uma olhada. Queria ter visto mais coisa. Ter entendido mais do que vi. Ter mergulhado em cada estande com mais tempo.

Quem sabe num próximo. 🙂

Ônibus-biblioteca, Bücherbus

Diversos ônibus estacionaram hoje na frente do prédio do Congresso de Bibliotecários em Frankfurt am Main. Até aí nenhuma novidade. Só que não eram ônibus comuns, mas ônibus-biblioteca. Um mais bonito e equipado que o outro. Não fiz anotações, mas havia bibliotecas de Frankfurt, Heilbronn, Darmstadt, Stuttgart, Offenbach, entre outras.

Como eu nunca tinha visto um ônibus-biblioteca, fiquei superimpressionada. Uma ideia tão interessante, tão relevante e tão bem implementada.

106. Bibliothekartag 2017

Hoje começou o congresso alemão de bibliotecários em Frankfurt am Main. Com mais de 2 mil participantes, o Bibliothekartag 2017 engloba palestras de profissionais de diferentes bibliotecas e instituições alemãs e de diversos outros países, além de uma grande feira, com a presença de empresas que produzem de softwares a mobiliário para bibliotecas. Há também estandes da Biblioteca Nacional alemã e outras organizações importantes da área, OCLC, ekz e BSZ.

A procura por um estágio, primeiro capítulo

Nunca imaginei que seria tão difícil encontrar uma biblioteca no Rio de Janeiro para realizar meu primeiro estágio, que precisa ser supervisionado – o currículo do curso da UCS inclui dois estágios supervisionados, nos dois semestres finais, cada um com 120 horas, sendo acompanhado por um professor do curso e por um profissional da área na unidade de informação escolhida.

Dividi a busca em três fases, com diferentes estratégias.

A primeiro foi iniciada ainda em março, quando fiz uma lista com todas as bibliotecas de meu interesse no Rio e outra com todos os bibliotecários que conheço ou tive algum contato nos últimos anos.

Ainda meio ingênua e sem experiência, pedi ajuda para uma colega de curso, que prontamente encaminhou meu currículo e carta de apresentação para uma empresa. Na minha imaginação, receberia uma resposta rapidinho. Não foi bem assim. Estou esperando até hoje…

Depois de uma duas semanas, percebi que não seria tão simples e passei a enviar e-mails para as primeiras unidades de informação da minha lista. Para meus lugares preferidos. De alguns sequer recebi resposta, justamente daqueles em que tenho um diferencial. De outros, uma negativa. Os que responderam já tinham alguém em vista para o segundo semestre ou não abriram processos neste ano. Fiquei feliz por terem respondido, pois com estes posso tentar no próximo semestre ou pelo menos já sei qual é o caminho – se por e-mail, pelo portal do CIEE (que não funciona on-line) ou outro modo.

Como a fase um não me trouxe resultados, desde a metade de abril parti para uma nova etapa: mais e-mails para bibliotecas e o início dos contatos com os conhecidos. Os e-mails continuaram não tendo muitas respostas. Confesso que com os colegas comecei a fazer os contatos nos últimos dias. Alguns falaram que irão se informar, mas eu sei por mim que nem sempre nos lembramos desses pedidos. Eu sou meio envergonhada para ficar cobrando. De qualquer forma, aguardo o retorno de alguns deles, especialmente daqueles que trabalham em bibliotecas onde talvez haja vaga.

Estou procurando estágio para agosto, então ainda tenho, teoricamente, dois meses inteiros pela frente. A terceira fase inclui refazer alguns contatos do começo das buscas e procurar fora do Rio. Tomara que não seja necessária.

Das Studentenwohnheim ou simplesmente meu alojamento

Quando escrevi sobre os primeiros preparativos para o intercâmbio, prometi contar como seria meu alojamento. Então aqui vai um relato.

O formulário para solicitação de um quarto em uma residência estudantil foi enviado ainda antes da confirmação da vaga no curso. O prazo para o semestre de verão foi 31.11. Quando eu estava preenchendo o formulário percebi que havia um limite de idade, 35 anos. Preenchi a data máxima possível, coloquei uma observação de que havia nascido em outro ano e escrevi para o International Office da HdM explicando a situação.

Como resposta recebi um e-mail informando que abririam uma exceção no meu caso, desde que eu não me importasse se viver em um local com pessoas de idades diferentes da minha, o que poderia implicar em barulho e festas.

“I just got news concerning your case. There is an option for you to live in the student accommodation. If you consider so, please think of that the students you are sharing an apartment with, might live a different lifestyle than you. Noise and parties have been a regular complaint in accommodations with an age difference.”

Como a alternativa seria eu mesma procurar um outro lugar, que talvez fosse mais caro, aceitei este mesmo. Ainda mais que queria viver realmente como uma estudante.

Moro em um prédio administrado pelo Studierenwerk Stuttgart. Só aqui há três construções. Em cada um dos andares do meu prédio, há três apartamentos. O apartamento em que moro é composto por seis quartos, uma cozinha, dois quartos de banho (com chuveiro e pia) e dois banheiros (com vaso e pia). Cada estudante tem seu próprio quarto, mas divide as demais dependências.

O grupo é composto por mim, dois alemães, uma australiana e um casal brasileiro de Sorocaba. Cinco estudam na HdM e um na Universidade de Stuttgart. Apenas o aluno da Uni Stuttgart já morava aqui antes.

Depois de conhecer outros estudantes, posso dizer que dei uma sorte danada com meus companheiros de apê. Já ouvi cada história! Apesar de não serem loucos por limpeza (acho que eu também não era aos 20 anos), tudo é conservado de maneira bem razoável. Fazemos uma limpeza coletiva todo domingo. Já estou aqui há dois meses e nunca teve episódio de música alta ou visitas incômodas. Por sorte, o maior “problema” é o arrastar de chinelos do Hugo. 🙂

Como todos temos horários diferentes, quase nunca nos encontramos. Há alguns colegas que fico duas semanas sem nem ver. Os brasileiros mesmo, encontro ocasionalmente. No início fiquei meio chateada por ter outros brasileiros aqui, confesso, mas depois percebi que é bom ter alguém com quem conversar na minha própria língua. Ainda mais que eles são bem simpáticos.

Ah, sim, antes que eu me esqueça. Este conjunto de alojamentos fica ao lado da estação de metrô do bairro. Poderia ser um problema, mas as janelas e paredes aqui na Alemanha costumam ser antirruído. Nos primeiros dias eu até ouvia os trens passarem, mas confesso que nem reparo mais. Ainda mais que vinda do Rio, uma cidade extremamente barulhenta, o barulho dos trens é nada.

Além disso, ter a estação a dois minutos de caminhada é muito bom.

Cada quarto tem sua própria internet, com contrato individual e custo de 7 euros mensais. O quarto é mobiliado – com cama, estante, guarda-roupa e uma lixeira. Neste alojamento, o aluguel custa 296 euros por mês. Como eu optei por não trazer roupas de cama, comprei um kit (com travesseiro, coberta, lençois) oferecido pela administração por 45 euros.

Encontrar um lugar para morar em Stuttgart é realmente um grande problema, por isso sou muito agradecida pela HdM cuidar desta parte. Todos os estudantes estrangeiros moram nesses prédios e não precisam correr atrás de um quarto. Já conversei com colegas que moram a uma hora daqui ou que ficaram mais de um ano na lista de espera.

Algo em comum com Rafael Capurro

Hoje o professor Hütter estava dando um exemplo de um banco de dados e escolheu o nome de um autor para fazer uma pesquisa.

“Vou usar o nome de um antigo colega aqui da HdM.”

Foi aí que caiu a ficha de que a universidade em que o Prof. Rafael Capurro deu aula no passado foi justamente a HdM, de 1986 a 2009. Eu sabia que ele havia feito o doutorado na Alemanha e depois havia lecionado aqui por anos, mas nunca me ocorreu pesquisar sobre isso.

Capurro é (costumava ser) um autor bastante lido no IBICT. Há alguns anos, ele esteve no Rio e fez uma palestra sobre suas pesquisas na época. Atualmente, desenvolve um projeto na África do Sul.

Moodle

Usamos o AVA no curso da UCS. Já aqui na HdM, os professores usam o Moodle como plataforma de apoio. A ideia dos sistemas é bastante similar. Porém, enquanto na UCS o AVA é a nossa sala de aula, onde recebemos todos os conteúdos, entregamos trabalhos, conversamos com os colegas e trocamos informações com os professores, na HdM o Moodle é apenas um espaço para que os professores coloquem os slides das aulas, o calendário e uma ou outra informação sobre a disciplina. Até agora, somente em uma disciplina, a que é mais prática, usamos as mensagens entre colegas.

Acho que ainda não escrevi aqui, mas junto com todas as informações sobre a matrícula, recebemos um e-mail da HdM, que é usado pelos professores para nos enviarem mensagens, assim como pela Assessoria Internacional.

Sobre notas, viagens e trabalhos (quase) atrasados

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As aulas começaram há seis semanas. Na primeira quinzena os professores parece que combinaram pegar bem leve. Quando eu estava feliz com a vida boa, todos resolveram passar mil leituras e trabalhos… simultaneamente. Por que vocês são assim conosco, professores?

Fato é que neste momento estou cheia de tarefas – que ainda não estão atrasadas, mas correm grande risco de ficarem… Ainda mais que no último fim de semana fiz uma pequena viagem. Afinal estou tão perto de lugares legais e sei lá quando voltarei à Europa. Depois postarei algumas fotos das bibliotecas que visitei.

Sobre as avaliações

Faço as três disciplinas do módulo IT Management (IT-Management in Bibliotheken, Bibliothekssoftware e Digitale Bibliothek). São três matérias distintas, cada uma com um professor diferente, mas que têm uma única prova, que será realizada em julho. A prova (chamada Klausur) tem duração de 90 minutos, sendo 30 minutos para cada disciplina.

Na disciplina Projekt Museumsbibliothek faremos um trabalho em grupo. Formamos o grupo ontem e começamos a pesquisa. O meu grupo vai mostrar a Biblioteca Digital Alemã como uma alternativa para apresentação da informação on-line. Ainda estamos no início do trabalho. A nota será baseada na apresentação oral e na parte escrita da pesquisa.

Mesma forma de avaliação terá a disciplina Medienmanagement in Schulbibliotheken. A diferença é que teremos duas atividades. Na primeira, os colegas alemães pesquisaram sobre temas ligados à Biblioteca Escolar. Já eu e o Nicolas, o colega francês, faremos apresentações individuais, sobre a situação das bibliotecas escolares em nossos respectivos países. Já comecei a coletar os dados, mas ainda falta muiiiiita coisa. Minha apresentação será no dia 23 de maio, mesmo dia em que serão apresentados os trabalhos em grupo sobre sistemas de gerenciamento de bibliotecas. O meu grupo falará sobre o Libreja.

Por fim, tem a disciplina Open Source Bibliothekssysteme, na qual estamos conhecendo o sistema Koha. Toda semana avançamos um pouco. Acaba sendo bem prática. Nas primeiras duas aulas passei trabalho com a instalação do programa no Linux. Nunca havia usado um “terminal” para inserir código. Agora estamos trabalhando no sistema em si. O Koha é um software de código aberto, mas sinceramente sem alguém para dar uma assistência no começo pelo menos, fica difícil instalá-lo de primeira. Nessa matéria, termos um trabalho escrito, no qual avaliaremos o uso do sistema.

E ainda tem o curso de alemão…