Primeiro mês na Alemanha

Impressionante como o tempo passa rápido. Já faz um mês que cheguei a Stuttgart. Desde entao consegui aumentar um pouco meus conhecimentos de alemao, conheci melhor a cidade, fiz algumas amizades e aproveitei para ler e passear (mesmo com o frio).

O curso de alemao foi ótimo. Apesar de nossa turma ser meio quieta, segundo a professora, houve um bom entrosamento e acho que todos saímos ganhando. No último dia, depois da prova, fizemos um programa juntos: fomos tomar uma cerveja no Palast der Republik, um pub que fica bem no centro da cidade e está sempre cheio, nao interessa o horário. Foi divertido.

Depois de alguma indecisao, finalmente tive a confirmacao das disciplinas que farei ao longo do semestre. Hoje ainda é quarta-feira. Entao quer dizer que já passei por três delas. Duas com menos alunos, menos conteúdo por parte dos professores e construcao da displina pelo grupo. A de hoje, com mais de 50 alunos, foi expositiva, o professor realmente deu aula. Ainda terei mais duas experiênciais amanha.

Nas duas primeiras aulas, os colegas sao mais jovens, quer dizer, eles estao na idade regular de uma graduacao (início dos 20 anos). Também sao alunos de semestres mais adiantados, que já fizeram estágio e/ou tiveram alguma vivência na área. Na aula de hoje, os colegas pouco se manifestaram. É uma disciplina mais de início de curso (2. semestre), mas para minha surpresa tinha alunos mais velhos, mais próximos da minha idade, estimo.

Estou feliz por finalmente ter comecado o semestre de Biblioteconomia. Claro que dá um frio na barriga, pois agora é vida real, nao tem mais a segurancao do curso de alemao, quando sempre temos a quem recorrer no caso de uma dúvida.

Aliás, o curso de alemao continua. Só que agora apenas uma vez por semana. Comeca hoje.

Uma bela biblioteca pública: a Stadbibliothek Stuttgart

Estive duas vezes na Biblioteca Pública de Stuttgart, eleita uma das bibliotecas mais bonitas do mundo. Realmente é uma bela biblioteca. O acervo é enorme, novinho, com bastante alternativas. Confesso que s bibliotecas francesas que visitei me deixaram mais impressionada, mas esta também é muito boa.

Como agora já tenho o registro na prefeitura, pude abrir uma conta na biblioteca. O cadastro para um ano custa 20 euros – é possível fazer uma assinatura mensal, por 4 euros por mês. Como ficarei cinco meses, achei que não faria diferença. Então fiz por um ano.

Eu havia visitado a biblioteca – apenas para conhecer – na semana passada. Com meus documentos atualizados, no último sábado voltei para assistir a uma palestra sobre Open Data e aproveitei para realizar meu cadastro. Peguei dois livros leves, em alemão, para treinar o idioma.

Há livros, DVDs, guias de viagem, livros infantis, material mais técnico e científico. Os locais para estudo não são muito grandes, mas os que existem são agradáveis.

Um aspecto diferente é que os usuários podem pegar um computador emprestado. Achei a ideia legal, assim como uma oferta de livros para os insones. A biblioteca tem quatro portas. Em uma delas, há uma máquina, como aquelas em que se compra água ou bebidas, para que os insones possam retirar um livro durante a madrugada.

O prédio da biblioteca é bem novo e bem cuidado.

O empréstimo é todo feito pelo usuário, sem a ajuda de bibliotecários. Em alguns andares, há alguns profissionais à disposição. O cadastro inicial é feito por uma bibliotecária.

A biblioteca tem um café no último andar. Dali é possível ir até o terraço, que fica aberto em um horário determinado. A vista da cidade é bem bonita.

No porão da biblioteca é possível deixar casaco e bolsa em uma guarda-volumes automatizado. Se quiser, qualquer pessoa pode entrar com mochilas, computadores, sem problemas. Há seguranças no andar térreo, mas eles são bem discretos.

Há uma seção sobre a cidade, inclusive com muitos folhetos sobre cursos, passeios e outras oportunidades para locais e estrangeiros. Achei a iniciativa interessante.

Pretendo voltar lá muitas vezes.

Em cada distrito da cidade há uma biblioteca. Aqui perto do alojamento estudantil, em Möhringen, há uma bem bonita – vou visitar nos próximos dias. É possível devolver ali os livros que peguei na biblioteca central. A carteirinha vale para todas as bibliotecas.

Curso de alemão: Los geht’s

img_5432No dia seguinte ao teste de nivelamento, começaram as aulas de alemão, que estão sendo realizadas em um prédio novíssimo da Hochschule für Technick (HfT), no centro de Stuttgart.

Na primeira hora, o diretor da Assessoria Internacional da HfT veio nos dar as boas-vindas e contou que o prédio estava sendo usado pela primeira vez naquela semana, que éramos os primeiros a estudar naquela sala. Ficamos até meio assustados diante das mesas tão branquinhas.

img_5434Mais tarde, veio a diretora da Vespa, instituição responsável pelo curso de alemão. Aproveitei para perguntar como faria para pagar o curso. Foi aí que descobri que a informação no site da HdM estava certa: para os alunos da HdM o curso é mesmo gratuito. 🙂

A minha turma é formada por mais ou menos 20 alunos. Todos os dias faltam alguns. A professora, Frau Wöllker, é de Berlim, mas já mora há muitos anos em Stuttgart. As aulas têm sido bem dinâmicas e com muiiiito conteúdo. Afinal, são três aulas de atividades.

Já estudei praticamente tudo o que está sendo dado em algum momento da minha vida, mas não quer dizer que saiba usar em uma conversa ou texto. Está sendo ótimo rever tudo. Tomara que agora finalmente eu consiga aprender direito e fixar isso na minha cabeça.img_5433

Sou a única brasileira da turma, o que é ótimo, pois não há risco de falar em português com ninguém. O colega que sempre senta ao meu lado é do Irã, chama-se Vahid. Ainda não consegui decorar os nomes dos outros, pois são bem complicados para mim. Há colegas de diversos países: Finlândia, Bulgária, Turquia, Coréia do Sul, Espanha, Taiwan, China, Rússia… Uma turma multicultural.

 

Primeiro compromisso: teste de nivelamento

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Na segunda-feira, 20 de fevereiro, fui pela primeira vez na Hochschule der Medien, onde vou estudar neste semestre. Não, as disciplinas de biblioteconomia ainda não começaram, mas eu precisava fazer o teste de nivelamento de alemão – OnDaF Test.

Foi meio engraçado, pois aplicar esse mesmo teste foi uma das minhas tarefas nos últimos anos. Desta vez eu estava do outro lado, como uma estudante de alemão sendo nivelada.

Como eu já tinha um registro, pois já fiz este teste outras vezes, fiquei aguardando a instrutora dar a ordem para começarmos. Não me contive e ajudei uma colega que estava tendo dificuldades com o registro. img_5400

O teste foi ok, com textos compreensíveis. Porém, fiz menos pontos do que da última vez. Em novembro, eu havia acertado 100 pontos dos 160. Agora, 98. Em março farei novamente o teste para saber em qual turma estarei durante o semestre. Espero ir melhor depois de três semanas intensivas de alemão.

Ao receber o resultado do teste, fui conversar com a instrutora, que estava nos colocando nas turmas disponíveis. Ela fez uma piadinha sobre o que poderiam fazer por mim. O meu resultado me colocaria em uma turma de C1. Como não há esta turma no intensivo, ganhei uma vaga na turma B2.1, o que achei excelente, pois poderei revisar vários conteúdos.

Existe uma problema quando se já aprende uma língua há muito tempo. Teoricamente, já se viu tudo, guardar isso na cabeça e usar na hora de conversar é outra história. Eu normalmente vou bem em teste de nivelamento, mas falar que é bom…

Curso de alemão

Depois de longas sete semanas de espera, hoje fiz minha matrícula no curso intensivo de alemão que é oferecido aos alunos estrangeiros antes de o semestre começar.

No dia 20 de fevereiro passarei por uma prova de nivelamento (outro teste OnDaF) e já a partir do dia seguinte começarão as aulas. Dependendo do nível, serão no mesmo prédio da minha faculdade ou em uma outra universidade no centro da cidade.

Os cursos são organizados pela VESPA – Verbund für Sprachenangelegenheiten, uma associação que trata de assuntos linguísticos de diversas instituições de ensino superior de Stuttgart.

Quando comecei a olhar as informações sobre o curso, havia lido que seriam gratuitos, mas, quando o site foi atualizado, notei que passaram a ter um custo. Pelo curso intensivo em fevereiro/março e por aquele realizado ao longo do semestre são cobrados 100 euros, o que acho um valor bem razoável.

O curso intensivo será realizado de 21 de fevereiro a 16 de março. O curso regular inicia-se na semana de 20 ou 27 de março e será uma vez por semana, a tarde toda.

Não poderia estar mais animada, pois é uma chance real de melhorar meus conhecimentos de alemão.

Planejando o intercâmbio

Tendo a carta de aceitação da Escola Superior de Mídias (HdM), comecei a listar tudo que tinha que providenciar para o intercâmbio:

  • seguro-saúde (fiz logo nos primeiros dias, pois era requisito essencial para os passos seguintes. Escolhi a Mawista, pois tinha um bom plano para estudantes);
  • alojamento (eu preenchi o pedido de um quarto no alojamento estudantil até 30.11. Ao fazer isso, percebi que havia um limite de idade que eu ultrapassava – 35 anos. Escrevi para o International Office e eles entraram em contato com os administradores do alojamento. Abriram uma exceção e consegui um quarto individual em um apartamento com outros seis universitários). Quando eu estiver lá farei outro post para contar como tudo funciona na prática.
  • disciplinas (entrei em contato por e-mail com o coordenador do curso, que me encaminhou para um outro professor. Menos de 24 horas depois de eu ter enviado o e-mail já tinha informações sobre o número de créditos e uma lista preliminar das disciplinas que poderei fazer. A programação completa, assim como as inscrições, é liberada agora em janeiro, ainda preciso aguardar um pouco, mas já dei uma olhada na grade do último semestre. Há várias disciplinas que quero fazer, mas tenho que ter o cuidado de não me sobrecarregar, pois afinal tudo será em alemão, o que não é exatamente simples).
  • passagem (depois de pesquisar muito, decidi comprar uma passagem da KLM, via Amsterdã. A volta será de Air France, via Paris. Como meu marido irá comigo no início do intercâmbio, optamos por passear um pouco antes de ir para a Alemanha).
  • licença/demissão do emprego (por enquanto ainda não sei se conseguirei a licença seis meses, mas não tenho pensado muito sobre esse assunto. Se não der a licença, poderei me concentrar nos meus estágios no segundo semestre).
  • $$$ (decidi comprar um cartão de viagem, mas ainda trocarei alguns euros). Logo mais farei um post sobre planejamento financeiro.

O resultado

Um mês depois da inscrição recebi o e-mail que tanto aguardava com a resposta da Escola Superior de Mídias (HdM). Depois de uns 20 dias de enviar a candidatura não resisti e perguntei sobre um possível prazo para divulgação do resultado. O diretor da assessoria internacional disse que logo sairia, “em alguns dias”.

No dia 1º de dezembro recebi a carta de aceitação com informações sobre documentos que teria de providenciar e o contato de coordenador de meu curso. Os mais importantes eram o seguro de saúde e o visto. Cotei um plano de saúde na Mawista (fechei um para estudantes que custa 75 euros por mês). Com o visto, felizmente, não precisei me preocupar pois tenho cidadania italiana e posso morar na Alemanha sem necessidade de uma permissão formal.

Curiosamente, dois dias antes de chegar a carta de aceitação recebi uma mensagem do alojamento que o International Office costuma reservar para estudantes estrangeiros dizendo que eu deveria preencher um formulário, que foi o que fiz só por garantia, apesar de ainda não ter 100% de certeza de que teria uma vaga no curso. A essa altura minha ansiedade estava enorme, mas logo soube que poderia respirar aliviada e feliz.

Preparando a documentação

O primeiro passo foi preencher o formulário disponível no site do International Office. No caso da Escola Superior de Mídias (HdM), preenche-se on-line e ao final é gerado um pdf. A universidade já recebe as primeiras informações sobre o aluno interessado em estudar lá. O pdf precisa ser impresso e assinado pelo candidato.

O dificultador é que o formulário precisa também ser assinado pela assessoria internacional da universidade de origem. Eu estava pensando em fazer o intercâmbio há meses, mas desisti. Somente faltando 10 dias retomei o processo. Ao comentar com duas amigas que não iria mais me candidatar, elas fizeram tanta pressão que não tive outra alternativa a não ser correr atrás dos documentos. (Obrigada, Julia e Ursula).

Ou seja, quando entrei em contato com a UCS, tinha apenas uma semana para resolver tudo – comportamento tipicamente brasileiro. Como não recebi resposta por e-mail, liguei e fui prontamente atendida pelo Thiago.

Outro ponto periclitante do processo era pedir uma carta/e-mail para a coordenadora, que falou que a faria sem problemas. Só que isso levou alguns dias e eu não queria ser a chata que deixa tudo para última hora e depois fica cobrando. Solicitei na segunda-feira e esperei até sexta para pedir novamente. Ela me enviou no dia 31, último dia, mas enviou! 🙂 Esse documento não precisava ser enviado junto com o restante da documentação, mas precisa estar dentro do prazo.

Enquanto esperava esses dois documentos, fui fazendo a tradução do histórico (primeiro a partir do que eu tinha acesso pelo AVA, depois pela lista enviada pelo protocolo da UCS). Sorte que o serviço no protocolo é muito ágil. Assim que liguei pedindo, já soube para quem deveria encaminhar um e-mail e a pessoa prontamente já me enviou o histórico atualizado. Não era necessária uma tradução juramentada, então eu mesmo traduzi – para o inglês, por ser mais simples.

Pronta essa parte, fui fazer o que considerava o mais complicado: a carta de motivação. Não é moleza, mas no final consegui fazer uma carta sobre o caminho que percorri até chegar ao curso de biblioteconomia e justificando porque havia escolhido o curso na Alemanha.

Eu tinha um certificado de inglês da época que participei do programa Idioma sem Fronteiras (por ser aluna de pós-graduação de uma universidade federal), mas ele não servia para muita coisa, pois o curso de Biblioteconomia na HdM é em alemão. Por sorte eu trabalho no lugar que aplica provas de nivelamento de alemão para o caso de quem quer fazer um intercâmbio. Em um dia calmo no trabalho, fiz a prova. Consegui o B2 de que precisava.

Juntei a isso uma foto 3×4 e as cópias de meus dois passaportes (brasileiro e italiano).

Pronto!

A candidatura estava pronta na quinta-feira! 🙂

Primeiros passos para a candidatura

Depois de ler as informações sobre o curso na página de apresentação, o melhor lugar para saber se é possível estudar em uma universidade alemã (sendo uma estudante estrangeira) é a página do International Office. Normalmente as instituições alemãs têm um acesso bem sinalizado para a página da assessoria internacional. No caso da Escola Superior de Mídias (HdM), ela é identificada logo no menu principal como International. Fácil de encontrar.

Dali segui para a página destinada a alunos de intercâmbio identificada como Exchange Students. Nessa página há um pouco de tudo: calendário, os cursos oferecidos em inglês, aqueles oferecidos em alemão (caso da Biblioteconomia), a candidatura on-line, custos, moradia, seguro-saúde, a vida em Stuttgart e depoimentos de outros alunos estrangeiros. Claro que sempre surge uma dúvida nova, mas as informações apresentadas ali já mostram bem o caminho a ser seguido.

O prazo de inscrição para o semestre de inverno (outubro-fevereiro) é 31 de maio; para o de verão (março-julho), 31 de outubro.

Para realizar a inscrição é necessário reunir alguns documentos. No meu caso foram:

  • formulário (disponível no site apenas em um prazo determinado), que precisa ser assinado pelo candidato e pelo representante da assessoria internacional da universidade de origem;
  • carta de motivação, que escrevi em alemão, mas creio que pode ser feita em inglês;
  • certificado de conhecimentos de inglês ou alemão;
  • histórico escolar;
  • cópia do passaporte;
  • foto 3×4.
  • Além de um e-mail da coordenação do curso falando que autoriza/recomenda a estudante para o intercâmbio, que foi feita pela profª. Patricia.

Após providenciar tudo, enviei a inscrição por e-mail, como recomendado.